Infância roubada

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Maria era uma criança.
Sonhava ser princesa.
Acreditava que a bonança
Provinha de uma vela acesa.
 
Maria era forte,
Tinha a força de cem
(Foi uma questão de sorte
Ela sair à mãe).
 
Maria rezava
Todos os dias, ao anoitecer;
Pouco falava
Mas tinha sempre muito a dizer.
 
Maria gostava de correr,
Alcançar o fim do prado,
De braços abertos, sem nada temer,
Imaginando-se um ser alado.
 
Maria estava doente.
Ninguém sabia.
Maria chorou, indiferente,
Desconhecendo para onde iria.
 
Sem nada pedir,
Maria viveu feliz;
Fez os outros sorrir,
Foi tudo o que ela sempre quis.

Sobre mim

"Sou pessoa, Forte e cobarde animal. Grito até que a alma me doa, Clamor de um pecado capital. […] Sou o que nunca fui, Tornei-me no que jamais serei. Nova calamidade que assim flui, Senil promessa que não quebrarei. Sou pessoa, Fútil ser onde o coração ecoa."

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