Um novo caminhar
0
[…]
Deu um passo um frente.
Sentiu os grãos fazerem cócegas nos pés,
A areia quente a guiá-la num infinito.
Parecia uma nova pessoa de repente.
“Pareço-me com algo que não és?”
Uma pergunta douta que soou a um grito.
Correu como se não houvesse mais amanhã,
Como se tudo dependesse dela.
Alcançou então o mar.
Profundo, imenso, eterno…
Não percebendo como, sentiu-se anã,
Presa dentro de uma qualquer tela
Cuja beleza não se permitia acabar.
Era como o fim do inferno.
Caminhou sem sequer olhar para trás,
Sabendo que pelas pegadas a seguiriam
(Não pelas que o mar apaga,
Mas por aquelas marcadas na vida).
Finalmente encontrou em si a paz
E perdeu o pavor que a cegava.
Pode ainda não fazer com que sorriam,
Mas a imensidão sarar-lhe-á a ferida.


0 comentários: